sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Face oculta

Não conseguimos investigar com a celeridade possível e quando, finalmente, décadas depois, há julgamento mais parece um baptismo porque sai tudo livre de pecado original. Temos que reconhecer que aquilo para que temos mesmo jeito é para dar nomes a operações policiais. Valha-nos isso.

É a piolheira do costume.

sábado, 17 de outubro de 2009

Para divulgação

"A situação é surreal: dezenas de professores contratados por uma empresa de Lisboa na garagem de uma empresa de reparação automóvel de Matosinhos para leccionarem Música e Inglês nas escolas do Porto. Isto ocorre no quadro das chamadas actividades de enriquecimento curricular, obra do Ministério da Educação e dos municípios. Estes jovens professores podem almejar, depois de feitos todos os descontos, receber menos de quatrocentos euros por mês. O abuso foi denunciado pelo deputado José Soeiro e pelo FERVE - Fartas/os d'Estes Recibos Verdes -, um movimento social que se dedica a lutar contra os falsos recibos verdes. Este pedaço de papel tem o poder, com a cumplicidade activa do Estado, de transformar 900 mil trabalhadores em mercadoria barata e descartável." in FERVE

Sem comentário.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Lisboa é nossa

Tratando do Tratado Zé Barroso até faz cara feia aos Checos. De longe porque em Praga há janelas. Para o Tratado depressa e em força que Lisboa é nossa.



Cuidado com as certezas. A história é muito traiçoeira...

domingo, 20 de setembro de 2009

Séries

Gosto da grande riqueza da adjectivação jornalística que nos vem confirmar as suspeitas acerca da qualidade do ensino das nossas supostamente mais cultas gentes. Soares é sempre o histórico socialista e Alegre é o deputado poeta. Reduzidos assim a bibelots no aparador da sala do jantar republicano. Democrática não é a sociedade, democráticas são a claustrofobia e a asfixia. A asfixia também pode ser social. Vejo Portas a tocar a pandeireta do racismo social, do demagógico recurso à inveja dos mais pobres. Verei um dia Portas a defender a taxa máxima de IRS para os que recebem o RSI/RMI? Devaneios de campanha.

Memórias de Música - 9


Quarteto 1111, é um disco editado em 1969. Foi estruturado em duas partes: o primeiro lado dedicado à emigração e o segundo ao racismo contendo nas entrelinhas muitas referências à guerra colonial. Como não poderia deixar de ser a censura retira-o do mercado três dias depois de estar à venda.
Este disco que tem o mesmo nome do grupo foi injustamente esquecido porque desapareceu rapidamente (mais rápido também era difícil) do mercado e tinha a antecede-lo um êxito estrondoso – o EP A lenda de El-Rei D. Sebastião.
Foi e ainda hoje é uma pena este trabalho ser tão pouco conhecido. Há aqui um festival de criatividade imenso, solos de órgão de um psicadelismo deslumbrante, baladas folk, notas jazzísticas de arrepiar e até Soul a lembrar o que se fazia nos estúdios Motown.
Era interessante saber-se hoje, o que aconteceu em 1969 aos portugueses que tiveram a ventura de ouvir este trabalho – deve ter ficado tudo parvo.
É bom recordar que em 1969, ouvia-se Pet Sounds dos Beach Boys, Forever Ghanges dos Love, The Piper at the Gates of Dawn dos Pink Floyd e ainda o já antigo, de 1967, mas magistral Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles.
Este disco, Quarteto 1111, é, na minha opinião, um irmão não reconhecido desta geração, apenas e só porque nasceu neste canto pobre da Península Ibérica.
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi o primeiro álbum conceptual da história da Pop Music, Quarteto 1111 foi o primeiro biconceptual.
João Balseiro


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Falar Claro 07.05.2009

Farinha maizena ou maracotão de Alcobaça? O primeiro de Maio e a "Marinha Grande". Maiorias absolutas?

Frase do ano

" ... a direita sofre duma disfunção eréctil."

Ouvido na RTPn

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vasco Granja

Foi com tristeza que li a notícia da sua morte. Foi preso pela PIDE ainda eu não tinha nascido, mas guardo a memória de uma voz tranquila sem resquícios de azedume. Trouxe para o universo dos meninos os desenhos animados para ver e pensar. Obrigado.

(Notícia aqui)


sábado, 2 de maio de 2009

Eu gosto de Vital Moreira

Primeiro porque é um homem que tem um assinalável percurso de crescimento pessoal em consonância com o mudar dos tempos. Vital Moreira é um homem de sistema, sistémico, constante e fiel a sistemas, previsível.

"4 DE DEZEMBRO DE 1975 2875
O Sr. Vital Moreira (PCP): - Não respondemos a fascistas. Só respondemos à classe operária."



Como desapareceu o sistema em que Moreira se revia, feito de Brejneves e gulagues, e porque Moreira é um homem de sistema, bastou adoptar outro, nomeadamente o socioneocapitalismo. E aí fica Moreira outra vez com um sistema para defender. Ao fim e ao cabo um fundamentalismo vale bem qualquer outro.



No nosso país, desde o atentado a D. José que ser vítima de um qualquer ataque é benéfico para a vítima, desde que sobreviva e as nódoas negras tenham desaparecido a tempo do telejornal das oito, claro. Eanes em Évora, Soares na Marinha Grande, quanto a Moreira no primeiro de Maio ainda não sabemos no que vai dar. Nada subjuga tanto a independência de pensamento como a crença em papões e inimigos míticos. Todos nos devemos unir contra inimigos comuns. O Bigbrother de Orwell precisava de amedrontar os cidadãos com um terrível inimigo comum. Lestásia ou Eurásia era indiferente desde que o medo do papão fosse real. Moreira, à semelhança dos ex-fumadores que se transformam em anti-tabagistas fundamentalistas, elege como inimigo a "esquerda anti-sistémica" ou a "esquerda radical". A conotação destes casos comezinhos com o pensamento de Orwell é feita sem querer de forma alguma ofender a memória do genial pensador de 1984.

Face aos desacatos do primeiro de Maio é vital que Moreira apresente queixa na PSP. A agressão e o insulto não são toleráveis no que deveria ser uma festa que bem podia passar sem arruaceiros provocadores.

Mudaram-se os tempos, Moreira de facto não mudou a não ser de penteado: o risco à direita substituiu o risco à esquerda. Seguramente isto não é significativo.

(Continua)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

25 de Abril sempre



Ouvir José Afonso é recordar Abril. Escolhi esta canção nem sei bem porquê.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Magalhães no prego

Segundo o "Metro" os Magalhães estão a aparecer nas casas de penhores e nas lojas de material em segunda mão.

Matem pelo menos algumas fomes.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Enriquecimento ilícito

"Caisónus, caiscarapuça..."

Não esquecendo que vox populi, vox dei:

Quem cabritos vende e cabras não tem,
de algum lado lhe vem.

Ler+


Há um pequeno anúncio que repetidamente passa nas nossas televisões e que reza assim: “Temos um milhão a ler nas aulas”. Até agora ninguém lia. Toda a malta passava pelas nossas escolas a ver banda desenhada sem balões.
Não só conheço Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães há longos anos, como tenho pelo seu trabalho o devido apreço. Mas que o PNL seja responsável por termos "...um milhão a ler nas aulas”, tudo isto com o mísero investimento de um milhão e meio de euros... Fico perplexo quando comparo este valor com o custo dos famosos Magalhães.
Esta é a ditosa pátria minha amada...

Um blogue de
M. Rocha Carneiro

As Memórias de Música

As Memórias de Música são breves textos que nos recordam música que de alguma forma foi marcante no nosso panorama musical. Todos os artigos podem ser encontrados agrupados sob a respectiva etiqueta.